Empresa baiana sai na frente da Microsoft
por Caique Dourado em dez.27, 2007, para Mercado
Confesso que dei muitas risadas ao me deparar com uma notícia publicada no site da PRODEB abordando o lançamento de um tal revolucionário Software bahiano.
O título dizia o seguinte: “Empresa baiana sai na frente da Microsoft”. Como legítimo bahiano que sou, e também fazendo parte do universo do desenvolvimento não pude deixar de dar prosseguimento com a leitura da matéria.
Lançado pela Freire Informática (Softwell), o Maker foi anunciado como uma ferramenta que visa aumentar a produtividade no desenvolvimento de sistemas através da geração automática de código. O usuário acessa o sistema, define a lógica do negócio usando alguns fluxogramas, o Maker gera o código, e algum tempo depois temos um sistema inteiramente pronto, sem ter conhecimento algum em nenhuma linguagem de programação. Mágico!!!
A idéia é até boa, apesar de não ser nova, nem tampouco revolucionária. A divulgação do Maker é um pouco pretensiosa, uma passada rápida pelo texto e qualquer desenvolvedor saberia que não é sequer uma revolução em matéria de desenvolvimento de sistemas. Veja algumas pérolas:
“Uma técnica completamente nova de desenvolvimento.”
Assim como Windows substituiu o DOS, como sistema operacional, e hoje é usado por bilhões de internautas, o Maker terá impacto semelhante na área de programação.
Pensando desa forma, as faculdades de informática já poderiam começar a pensar em reformular suas grades curriculares. Poderíamos abolir quem sabe algumas matérias como JAVA e .NET por exemplo, quem sabe o Pascal? Bastaria cria a matéria “Desenvolvimento Orientado ao Maker”. Nada de lógica nem algorítimos. Uma piada!!!
Existem Softwares semelhantes no mercado, como exemplo o GeneXus, a descrição é a mesma.
O GeneXus é mais que um simples gerador de código, ele segue a idéia de descrever todos os objetos em uma base de conhecimento e, através dela, gerar todos os programas necessários para a aplicação, desde a própria aplicação e os objetos no banco de dados. Tudo isso é feito de forma automática.
- O GeneXus trabalha com uma grande variedade de plataformas, linguagens e bancos de dados.
- Simplifica e automatiza a criação de aplicações corporativas .
- Permite um ganho alto de produtividade em pequenas, médias e grandes aplicações.
- Dá ao programador uma visão ampla de todo o negócio.
- Relaciona todas as informações da aplicação tornando muito facil a manutenção.
- Permite reutilização do código.
- Cria e reorganiza automaticamente o banco de dados.
- Permite fácil desenvolvimento de aplicações WEB.
- Permite reutilização de regras de negócio com a utilização componentes de negócio.
- Incorpora novas funcionalidades como AJAX(apenas para pequenas funcionalidades), EJBs sem custo adicional para a ferrramenta.
- Facilita a conversão entre linguagens e plataformas quando as mesmas se tornam defasadas ou são descontinuadas.
- Bla, Bla, Bla….
Segundo a empresa já foram desenvolvidos N aplicativos com o Maker, entre eles folha de pagamento, controle de almoxarifado arrecadação de tributos e até mesmo uma ERP.
Sistemas proprietários se saem muito bem dentro do escopo em que que foram definidos. E se de repente eu precisar de alterações mais bruscas? Só resta lamentar…
Vale lembrar que não tenho nada contra a softwell e ao maker, nunca cheguei a testar a ferramenta. Esponho apenas minha opinião como um desenvolvedor hávido por qualidade de código e boas práticas de desenvolvimento.
Como já dizia o Fernando Franzini: “O uso de ferramentas RAD aonde o foco é arrastar e soltar, resulta em muitos desenvolvedores folgados, burros e com uma serie de vícios”.
Leia a matéria na íntegra:
http://www.prodeb.gov.br/exibe_noticia.asp?cod_noticia=1622
Abraço a todos!
Caique Dourado
dezembro 28th, 2007 on 0:04
Concordo com você Caique, tambem tenho terror sobre ferramentas Case, já andei olhando os demos desse Maker, sinceramente não vi grande coisa lá.
E como você falou, ficar amarrado numa ferramenta é muito arriscado, se aparecem requisitos que a tal ferramenta não atende e ai? rss..
Abraços
janeiro 7th, 2008 on 20:33
Na quinta-feira recebi uma ligação do Wellington Freire (Diretor da Softwell) me convidando a comparecer na empresa e conhecer o Maker.
Meu tempo estava um pouco curto, mas deu para assistir alguns slides e conversar com Freire sobre as funcionalidades do produto.
O Sistema se sai bem para o objetivo a que foi desenvolvido: Sistemas transacionais com telas de cadastro, consultas e relatórios (segundo Freire 87% dos sistemas desenvolvidos hoje).
O público alvo seriam os desenvolvedores de antigas tecnologias (Delphi, Visual Basic, Clipper) que não tem tempo (nem vontade!!!) para se atualizar. Assim, com o Maker eles podem criar aplicativos para Web utilizando a lógica de desenvolvimento já adquirida com o tempo.
Grato ao Freire pelo Convite!
janeiro 13th, 2008 on 18:49
Caique,
Muito pertinente sua observação. Fiz um treinamento do Maker na Softwell (não sou funcionário, amigo ou inimigo – só fiz o treinamento)O maker tem limitações sim, como qualquer outro software, isso além de alguns problemas de performance (isso até onde eu testei – acredito que vão melhorar isso em breve) e é limitado em relação à estrutura. Mas acredito que dentro do que ele pode fazer, e pode fazer muitas coisas é realmente muito produtivo. Vale à pena conhecer.
Mas até onde eu sei, só estará disponível para grandes empresas e a um preço altíssimo!
Um abraço a todos!
janeiro 20th, 2008 on 12:01
Uma crítica do Fragmental sobre esse tipo de ferramenta.
http://blog.fragmental.com.br/2008/01/20/programacao-radioativa/
julho 15th, 2009 on 17:01
Softwell Maker na Desciclopédia
http://desciclo.pedia.ws/wiki/Softwell_Maker